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Taxonomia

O Tayassu tajacu, conhecido como cateto, caititu e "porco do mato", é um mamífero da família Tayassuidae, pertencente à ordem Artiodactyla, que se divide em dois gêneros: o Tayassu, com duas espécies: T. tajacu (cateto) e T. pecari; e o Catagonus, com C. wagneri (Sowls, 1984). As relações filogenéticas das três espécies não estão claramente definidas (Judas, 1999).

Recentemente, o pesquisador Marc Van Roosmalen encontrou uma possível nova espécie na região do rio Aripuanã, na Amazônia, que foi denominada "porco-do-mato gigante". Mede cerca de 1,3 metro de comprimento e, diferente de seus representantes da família, se movimenta pela floresta silenciosamente, e sua pele tem menos gordura. Segundo o pesquisador, o animal não tem barbicha branca e nem um anel da mesma cor ao redor do pescoço.

Cateto

Reprodução

Considerado o mais produtivo dos ungulados americanos, o T. tajacu pode gerar de um a quatro filhotes por cria e apresentar estro oito dias após o parto, tornando-o apto a reproduzir durante o ano todo. Os filhotes são precoces, podendo acompanhar a mãe a partir do dia em que nascem, e adquirem pelagem de adulto por volta do 75º dia de vida. Os machos tornam-se sexualmente ativos a partir de um ano de idade; as fêmeas, um pouco antes de um ano.

Grupo

O T. tajacu é uma espécie social, vive em grupos que variam de 2 a 30 indivíduos. Essa estratégia pode ser considerada uma adaptação vantajosa, quando comparada ao animal solitário, pois aumenta a proteção contra a predação. Dependendo da região e da disponibilidade de alimento, o grupo se divide em subgrupos para buscar alimentos, mas voltam a se reunir em um único grupo na hora de dormir. Os grupos são compostos por machos e fêmeas dominantes e não dominantes, juvenis e filhotes de ambos os sexos, sendo que os elementos dominantes do grupo têm o privilégio de reproduzir.

Área de vida

Em ambientes mais previsíveis e sem interferência humana, a área de vida do T. tajacu tende a ser constante por vários anos. No Pantanal, a incidência do Caititu ocorre em uma densidade de 14,1 indivíduos por km2. Pode ser encontrado em ilhas e cordões de vegetação arbórea típica de Cerrado, conhecidos como capões e cordilheiras. O tamanho dos grupos formados pode variar de acordo com as regiões e, dependendo do tipo de habitat, da densidade populacional e da dispersão dos recursos alimentares (Sowls, 1978; Castellanos, 1982). Nos Lhanos venezuelanos, a área de vida varia de acordo com as estações do ano, sendo de 35 ha na estação seca e de 100 ha na estação chuvosa (Castellanos, 1982). Há evidência de área de vida de até 313 km2. O T. tajacu utiliza as fezes e o almíscar da glândula dorsal para delimitar seu território. Os grupos geralmente movimentam-se durante o dia, pela manhã, e descansam à sombra nas horas mais quentes do dia (Carter, 1984).

Distribuição geográfica

A distribuição do T. tajacu vai desde o estado do Texas, no sul dos Estados Unidos, até o norte da Argentina, ocorrendo em todo o território brasileiro. Por ser um ungulado de grande plasticidade, essa espécie é capaz de ocupar uma grande diversidade de habitat, podendo ocupar desde áreas semidesérticas e savanas, até florestas tropicais e de altitude, bem como áreas de transição entre esses ambientes, demonstrando, assim, a sua habilidade em explorar o ambiente usando os diversos microclimas do seu habitat (Sowls 1997). Em regiões onde há grandes extensões de vegetação natural, como a Amazônia e o Pantanal, as densidades populacionais variam de 0,5 a 2 indivíduos por hectare (Kiltie, 1980).

Conservação

Na Amazônia, a caça de subsistência e a destruição do habitat têm acarretado o declínio das populações de T. tajacu (Nogueira-Filho et al. 1999). Já no Pantanal, a fauna depende dos 30% de área com bosques naturais, os quais se encontram ameaçados pelo desmatamento (Silva et al. 1999). Essa paisagem florestal vem sendo sistematicamente eliminada para introdução de pastagens cultivadas (Mauro et al. 1997), sendo que entre os anos de 1990 e 1991, a área com pastagens cultivadas dobrou ou até quadruplicou em algumas sub-regiões do Pantanal (Silva et al. 1998). Essa transformação do habitat pode influenciar na distribuição e na abundância do T. tajacu, assim como de outras espécies simpátricas, como ocorreu no planalto central e sudeste do Brasil.

Alimentação

A alimentação do T. tajacu é formada principalmente por itens de origem vegetal (folhas, frutos, sementes, tubérculos e raízes) e complementada com pequenos invertebrados (Ojasti 1993).

Diversificação Agropecuária

A produção de animais silvestres em cativeiro, com autorização do IBAMA, pode ser um bom negócio. No Brasil, existem muitas iniciativas de criação comercial de catetos que podem trazer boa rentabilidade para o proprietário rural. O desenvolvimento de novas técnicas de criação de cateto é uma atividade que serve como forma de diversificação e integração das atividades agropecuárias. Sua carne é bastante procurada em restaurantes especializados e o couro também possui um bom valor comercial. A diversificação da produção rural pode ser utilizada como auxílio na conservação da fauna brasileira.

(EMBRAPA- Fauna e Flora do Cerrado)

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